A Motorola atualizou a linha Moto G no início deste ano: trazendo três modelos (G6 Play, G6 e G6 Plus), a empresa entra no ritmo das telas 18:9, dando o nome de Max Vision, e tenta melhorar sua fatia de mercado. O Moto G6 é fruto deste foco: é o primeiro Moto G com acabamento em vidro na traseira, mostrando um refinamento da linha em geral.
É claro que este refinamento tem um preço: se antes a versão convencional do Moto G custava entre R$999 e R$1.099, hoje ele custa, no mínimo, R$1.299, chegando até R$1.499 com 64GB de armazenamento. O foco da Motorola é trazer um ar mais premium para a linha, ainda que precise subir o preço para alcançar este objetivo.
E isso é visto desde o lançamento da linha Moto G5, com design em metal, ainda que parcialmente. Agora, com dispositivos em vidro e com conexões mais modernas (como a USB-C), é pública e notória a tentativa da Motorola em melhorar a linha. A empresa me enviou a versão com 3GB de RAM e 32GB de armazenamento, esta na cor índigo. Passei várias semanas com o smartphone e conto tudo sobre o aparelho abaixo:
Design
[sg_popup id="4321" event="click"]
[/sg_popup]
O Moto G6 é uma grata surpresa para aqueles que desejam um smartphone com acabamento um pouco mais refinado: o acabamento da traseira é feito em vidro e passa uma pegada bem confortável. O aparelho que recebi, na cor índigo, é bem bonito e chama pouco a atenção, sendo mais discreto que as gerações anteriores.
Diferente do irmão mais barato, o Moto G6 Play, a marca da Motorola fica por baixo do vidro, enquanto o sensor de impressões digitais foi movido para a frente. O "calombo" da câmera também está presente, similar ao do Moto X4, que já mostrava a mudança de foco da Motorola nos termos de design.
Pesando 162 gramas e possuindo 8,3 milímetros de espessura, ele é confortável na hora de segurar e não passa a sensação de insegurança em nenhum momento. A Motorola agora envia um capinha de plástico na caixa, já inserida no aparelho, uma grata surpresa que ajuda os mais desastrados.
O refinamento de design também contemplou a frente do aparelho: era preciso abrir espaço para a tela de 5,7 polegadas de proporção 18:9. No irmão mais barato, a empresa mudou o sensor de impressões digitais para a traseira, colocando-o na marca da empresa. No Moto G6, contudo, ele ficou na frente.
Para manter o sensor na posição original, a companhia precisou deixar o sensor mais estreito. Quem possui dedos um pouco maiores irá ter certas dificuldades para utilizar a função de navegação por um toque. Meu dedo polegar é de tamanho médio, e a experiência com esta função não foi muito confortável.
Algumas decisões de design são questionáveis: a empresa manteve a marca na frente, em um espaço que poderia ser aproveitado pela tela ou pelo sensor de impressões digitais. A frente também parece estar muito carregada, algo que não existia nos modelos anteriores, apesar de possuírem uma proporção de tela menor.
A moldura do aparelho é feita totalmente em metal. O posicionamento dos botões é o mesmo de toda a linha: eles ficam na lateral direita. No topo, além da gaveta para SIM cards, também existe um microfone. Na parte inferior, a conexão USB-C e a conexão de fones de ouvido (3.5mm), além de dois microfones.
Tela
A tela do dispositivo é a principal novidade da linha G6: tendo 5.7 polegadas e proporção 18:9, a Motorola adapta suas linhas aos principais concorrentes, como LG Q6, ASUS Zenfone Max Plus, Galaxy J6 e outros. As especificações restantes continuam similares aos modelos anteriores.
Com tecnologia IPS, resolução Full HD+ (2160x1080) e densidade de pixels de 424 _ppi, _a tela do Moto G6 é bonita e possui cores satisfatórias. Não tive problemas para enxergar sob a luz do sol. A responsividade ao toque é boa e não deixa a desejar. A tela é confortável de operar, principalmente com a proporção 18:9.
Hardware e armazenamento
Apesar de agradar na tela e no design, o dispositivo possui alguns problemas relacionados ao hardware, que é composto por um processador Snapdragon 450, 3GB de RAM e GPU Adreno 506. O Snapdragon 450 possui oito núcleos Cortex-A53, rodando a 1.8GHz. O resultado foi bem abaixo do que eu esperava, mesmo para um processador da série 400.
Durante o uso, senti diversos engasgos que comprometiam a experiência de uso. O conjunto não é ruim: o processador é feito na litografia de 14 nanômetros, não temos recursos demandando força excessiva do processador, a GPU (que já foi vista em outros smartphones) também cumpre bem o seu trabalho.
Moto G6 com a capa instalada. (foto: Lucas Silva)
Durante jogos - como GTA San Andreas - a experiência é apenas ok. Existem alguns engasgos na execução, os mesmos que são observados durante o uso geral, até mesmo em aplicativos mais leves. 3GB de memória RAM são suficientes para um uso básico do Android nos dias de hoje, o que não justifica as engasgadas constantes do dispositivo.
Outro problema fica por conta do armazenamento interno: a versão de 32GB do Moto G6 possui preço sugerido de R$1.299. Os concorrentes com 64GB de armazenamento ficam na mesma faixa de preço, sendo que a versão com maior armazenamento fica com o preço sugerido de R$1.499, apesar de ser vista em preços menores nos dias de hoje.
No geral, os 32GB de armazenamento interno não serão um empecilho para os usuários mais básicos: com 25GB disponíveis. A Motorola não repetiu o erro que cometeu no Moto X4, que trazia apenas 15GB de armazenamento interno disponíveis ao usuário. Apesar disso, o Moto G6 não traz o sistema de partições A/B que, na época, foi apontado como o responsável pelo armazenamento ruim do Moto X4.
Ele possui os sensores básicos de funcionamento: além do sensor de impressões digitais, ele traz giroscópio, acelerômetro, proximidade e bússola. O conector USB-C também é novidade na linha, trazendo carregamento rápido e a conexão reversível em uma categoria que ainda era impopular com o novo conector.
Sistema
O dispositivo conta com o Android 8.0, conhecido como Oreo. Assim como outros dispositivos da marca, o resultado é similar: a interface do sistema é "pura", existem poucas modificações (como o aplicativo Moto e seus adjacentes). Isso facilita principalmente no desenvolvimento de atualizações.
A Motorola também resolveu trazer o Moto Voz de volta. Ele funciona bem em algumas vezes, vezes essas bem raras. Em outras, ele nem reconhece o comando ou troca as palavras por outras. Os gestos incluídos pela empresa em versões passadas continuam presentes, assim como o Moto Tela, que mostra notificações.
Também está presente o gerenciador de senhas Moto Key, que permite até desbloquear seu computador por meio do sensor de impressões digitais do smartphone, função que apareceu pela primeira vez no Moto X4. De resto, o sistema é igual ao Android puro, sem muitas diferenças. Contudo, algumas mudanças introduzidas pela tela 18:9 causam problemas com aplicativos.
Ao ativar a navegação por gestos no sensor de impressões digitais, o aplicativo do Spotify criou uma área vazia, onde ficariam os botões de navegação. Outros aplicativos também mostram os mesmos problemas, e parecem não ter 100% de aproveitamento, mesmo após várias atualizações.
A Motorola já se pronunciou oficialmente e anunciou que atualizará o Moto G6 para o Android 9 (Pie). Ele ainda não recebeu a atualização para o Android 8.1. Contudo, por ser uma atualização mais básica, sem trazer funções muito específicas, a empresa pode "pular" esta versão e atualizar diretamente para o Android 9.
Câmera
A câmera do dispositivo deixa a desejar no resultado final: com um conjunto de duas câmeras (12+5MP) e flash duplo de LED, os resultados em boa iluminação são bons. Os detalhes são satisfatórios, as cores são acertadas e provavelmente você não terá imagens estouradas, um resultado comum nestas condições.
Em pouca luz, os resultados também são satisfatórios. O grande problema é a falta de otimização no software da câmera: o foco pode demorar, principalmente em cenários de baixa luz, além de demorar muito para ver a imagem que você acabou de capturar, durante o processamento. Ele até tenta sugerir algumas correções, mas não funcionam muito bem.
Outro detalhe importante: a segunda câmera não é grande angular, e não produz zoom. Ela só está lá para... bem, fazer o modo retrato, que também não deixa a desejar. A câmera frontal possui 8MP, abertura f/2.2, e traz um pouco de ruído. Ela também tem flash e não deixa muito a desejar,
Abaixo, algumas imagens capturadas:
[gallery columns="6" ids="4303,4302,4301,4299,4300,4298,4290,4291,4292,4293,4295,4296,4297,4289,4288,4287,4286,4285,4284,4283,4294"]
Bateria
A bateria do dispositivo vai depender do uso. São 3000mAh, suficientes para um dia todo (07:00 - 18:00) fora da tomada com brilho em nível médio, ligações, mensageiros e emails. Em situações mais intermediárias, subindo o brilho da tela e utilizando mais funções, como redes sociais, existe perda de cerca de três horas de bateria.
Em usos mais intensos, incluindo jogos e atividades mais pesadas, além do brilho mais intenso, cerca de seis horas são necessárias para drenar totalmente a bateria do dispositivo. Ele conta com carregamento rápido com carregador de 15W, carregando totalmente o dispositivo em cerca de 1 hora e 30 minutos.
O Moto G6 vale a pena?
A linha Moto G está ficando cada vez mais refinada. Começou com o design em metal no ano passado e, neste ano, passou por mais transformações: ganhou tela 18:9, ganhou design em vidro e metal e até mesmo conector USB-C. Mudanças que acompanham uma subida na linha da empresa. O grande problema é... o preço.
O preço sugerido de R$1.299,00, apesar de trazer todas essas novidades, o coloca em concorrência com outros smartphones que possuem especificações melhores, apesar de não possuírem características de design trazidas pelo modelo da Motorola. Já circulam, nesta faixa de preço, smartphones com processadores da série 600 da Qualcomm, que trazem potência sem comprometer o consumo de bateria.
Até mesmo smartphones da própria Motorola acabam canibalizando o modelo mais novo: por exemplo, o Moto X4, que traz Snapdragon 630 com 3GB de RAM e possui um preço similar. Apesar de não trazer a tela 18:9 e outras características mais novas, ele traz resistência à água, câmera dupla com mais funções, Snapdragon 630 e um design muito similar.
Se você procura por um smartphone que tenha tela 18:9, que tenha câmera com modo retrato, design mais refinado e não se importa com muita potência, o Moto G6 é uma boa opção no momento, e que reúne todas essas constantes. Contudo, se você procura um pouco mais de potência, câmera dupla com mais funções pelo mesmo preço, existem outras opções melhores.



